domingo, 15 de março de 2020

HQ: Oblivion Song - Canção do Silêncio (Oblivion Song #01)

Anos atrás, 300 mil habitantes da Filadélfia foram transportados para Oblivion, uma nova dimensão aterrorizante que surgiu de forma inexplicável e destruiu áreas da cidade. Os desaparecidos tentam sobreviver enfrentando seres monstruosos em um ambiente inóspito e atordoante, marcado por raros momentos de calmaria.
O governo investiu muitos recursos em incursões para resgatar as vítimas, mas depois de dez anos as buscas foram encerradas. Mesmo lamentando a perda de entes queridos, a vida seguiu seu curso para grande parte da cidade, e monumentos, memoriais e museus foram erguidos em homenagem aos que se foram. No entanto, se depender do cientista Nathan Cole, ninguém vai ficar para trás. Nathan desenvolveu uma tecnologia extremamente instável que lhe permite visitar Oblivion todos os dias. Ele arrisca a própria vida em viagens solitárias, perigosas e muitas vezes infrutíferas na tentativa de resgatar sobreviventes. Cada vez que volta de lá, se mostra mais determinado. Mas o que Nathan procura? Por que não consegue resistir ao chamado de Oblivion, à canção silenciosa de um mundo prestes a ruir e a levá-lo junto?
Criador de The Walking Dead — série vencedora do prestigiado Eisner Awards —, Robert Kirkman retorna com seu talento para contar histórias de caos em cenários pós-apocalípticos. Oblivion Song: Canção do Silêncio narra o luto, os traumas e os limites impensáveis que ultrapassamos para consertar os erros do passado. Com o traço único de Lorenzo De Felici, o primeiro volume reúne os seis fascículos iniciais da série. 

Uma das coisas que me fazem ir atrás de enredos onde a nossa realidade sofreu um grande golpe e tenta, de alguma forma, se reerguer, é como esse acontecimento impacta na vida das pessoas. Como não parar sua vida, encarar o futuro, se não consegue deixar o passado? Esquecer o que aconteceu é a forma certa de voltar a viver?

Em Oblivion Song, tudo já começa algum tempo após o sumiço de boa parte da população e encontramos Nathan em busca dessas pessoas, uma em especial. Tudo nos é apresentado aos poucos, e o passado nos veem em fragmentos de acordo com as atuais ações de Nathan, Ducan e Bridget, entre outros. Gosto desse tipo de construção, onde precisamos ir juntando as informações para criarmos o todo que explica o porque deses personagens passarem por isso. 

Como disse antes, a tragédia ocorrida é a porta para entendermos os personagens e suas frustrações e medos, sua realidade e seus percalços. As reflexões são muitas: desde a culpa que todo "sobrevivente" sente até a difícil readaptação quando são trazidos de volta. Nesse aspecto, foi importante mostrar que não somente quem foi para Oblivion sofreu: os que ficaram também tem sua parcela de dor. Seja uma esposa que sofreu para seguir em frente,e quando finalmente consegue, precisa voltar a ter uma vida compartilhada com o marido e suas angústias, seja o homem que perdeu o irmão e sente-se responsável por isso.

A arte é bonita e dá forma as pessoas de uma maneira mais real, com diferenças de tamanho e tipos de corpos, além de marcar as dores nos personagens em suas expressões. As cores usadas para Oblivion são diferentes e se destacam em relação as passagens na Filadélfia, e as imagens dos ataques são maravilhosas, passam bem quais movimentos foram pensados para cada quadro.

O enredo se desenvolve bem, com a parcela certa de aventura e suspense. O volume um acabou com uma revelação bem pesada e não consigo visualizar como vão ser tratados os desdobramentos dessa descoberta. Ainda bem que já tenho o segundo volume em mãos e logo volta pra comentá-lo.

Sobre a HQ:
ISBN: 9788551003237 
Volume: 01
Autores: Robert Kirkman, Lorenzo de Felici e Annalisa Leoni
Editora: Intrínseca
Ano: 2019
Páginas: 144


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