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quinta-feira, 2 de junho de 2022

RESENHA: Sobre a Terra somos belos por um instante

Sucesso de público e aclamado pela crítica nos Estados Unidos o romance de estreia do poeta Ocean Vuong é um retrato devastador de uma família, um primeiro amor e o poder redentor da narrativa. Sobre a terra somos belos por um instante é uma carta de um filho para uma mãe que não sabe ler. Escrita quando o palestrante, Little Dog, está com quase 30 anos, a carta desenterra uma história de família que começou antes dele nascer e morar nos Estados Unidos - uma história cujo epicentro está enraizado no Vietnã - e serve como uma porta de entrada para partes de sua vida que sua mãe, que carrega cicatrizes da guerra, nunca teve conhecimento, com direito a uma revelação inesquecível. Ao mesmo tempo um testemunho do amor intenso e inegável entre uma mãe solteira e seu filho, é também uma exploração brutalmente honesta sobre raça, classe e masculinidade. Com surpreendente urgência e graça, Ocean Vuong escreve sobre pessoas presas entre mundos díspares e pergunta como podemos curar e resgatar uns aos outros sem abandonar quem somos.

Me chamou a atenção primeiramente o título do livro. Achei tão poético e ele me fazia imaginar um livro com reflexões profundas e uma história forte. E acontece dessa forma, terminei a leitura muito tocada pelos personagens, pesquisei sobre fatos e passei um tempo tentando digerir tudo que li.

domingo, 16 de maio de 2021

RESENHA: É assim que se perde a guerra do tempo

Entre as cinzas de um mundo em ruínas, uma soldada encontra uma carta que diz: Queime antes de ler. E assim tem início uma correspondência improvável entre duas agentes de facções rivais travando uma guerra através do tempo e espaço para assegurar o melhor futuro para seus respectivos times. E então, o que começa como uma provocação se transforma em algo mais.
Um romance épico que põe em jogo o passado e o futuro. Se elas forem descobertas, o destino será a morte. Ainda há uma guerra sendo travada, afinal. E alguém precisa vencer.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o título. Depois a sinopse e capa. Porém realmente não fazia ideia que Red e Blue iam me conquistar assim.

O livro é desenvolvido por cartas trocadas entre Blue e Red, o início das interações entre elas tem um tom de provocação e admiração por parte de duas agentes muito competentes e vai crescendo conforme os quase encontros delas vão se sucedendo.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

RESENHA: A palavra que resta

Neste primoroso romance de estreia, acompanhamos a trajetória de Raimundo, homem analfabeto que na juventude teve seu amor secreto brutalmente interrompido e que por cinquenta anos guardou consigo uma carta que nunca pôde ler.
Aos 71 anos, Raimundo decide aprender a ler e a escrever. Nascido e criado na roça, não foi à escola, pois cedo precisou ajudar o pai na lida diária. Mas há muito deixou a família e a vida no sertão para trás. Desse tempo, Raimundo guarda apenas a carta que recebeu de Cícero, há mais de cinquenta anos, quando o amor escondido entre os dois foi descoberto. Cícero partiu sem deixar pistas, a não ser aquela carta que Raimundo não sabe ler – ao menos até agora.
Com uma narrativa sensível e magnética, o escritor cearense Stênio Gardel nos leva pelo passado de Raimundo, permeado de conflitos familiares e da dor do ocultamento de sua sexualidade, mas também das novas relações que estabeleceu depois de fugir de casa e cair na estrada, ressignificando seu destino mais de uma vez.
A magnitude deste romance está, primeiro, na invenção de um enredo poderoso sobre a dor da exclusão – a exclusão da miséria, do analfabetismo, da solidão, do preconceito. E se completa com a força da linguagem que molda a história, palavra a palavra, na tradição dos grandes narradores brasileiros. – Socorro Acioli, autora de A cabeça do santo

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Graphic Novel: Laura Dean vive terminado comigo

Faz quase um ano que Freddy está apaixonada por uma menina chamada Laura Dean. Mas ela não imaginava que um namoro poderia ser tão complicado…
Freddy Riley só quer que Laura Dean pare de terminar com ela. O dia em que começaram a namorar foi o melhor de sua vida, mas agora parece apenas uma lembrança distante. Laura Dean é popular, engraçada e MUITO LINDA… mas também pode ser insensível e bem cruel. O relacionamento cheio de idas e vindas deixa Freddy desnorteada, e seus amigos não entendem por que ela sempre aceita reatar. A situação se mostra cada vez mais insustentável: o coração de Freddy está se despedaçando em câmera lenta, e ela corre o risco de perder a melhor amiga junto com o que resta de sua autoestima. Mas, quando Freddy se consulta com uma misteriosa vidente, recebe um conselho capaz de mudar essa história para sempre.
As premiadas Mariko Tamaki e Rosemary Valero-O’Connell dão vida a uma narrativa delicada e pungente sobre o amor na adolescência, nos convidando a imaginar o que acontece quando deixamos para trás os relacionamentos tóxicos e abrimos espaço para relações que nos fortalecem. Laura Dean vive terminando comigo venceu três Eisner Awards, maior prêmio do universo dos quadrinhos, nas categorias Melhor Roteirista, Melhor Artista e Melhor Publicação Para Adolescentes

terça-feira, 1 de setembro de 2020

RESENHA: Com amor, Creekwood


Os protagonistas do best-seller Com amor, Simon estão de volta em uma sequência divertida com momentos inesquecíveis!
Becky Albertalli estreou na literatura jovem com um livro sensível e apaixonante, que narra com naturalidade e bom humor os dilemas e as paixões de um adolescente gay. Com amor, Simon foi destaque nas principais listas de mais vendidos e deu origem a sequências igualmente bem-recebidas, além de um filme de muito sucesso e uma série inspirada na história.
Foi na Creekwood High School que Simon e Blue se conheceram e se apaixonaram, e também onde Leah e Abby descobriram que o que sentiam uma pela outra era mais do que amizade. Ao que tudo indicava, a jornada de Simon e seus amigos tinha chegado ao fim, mas, para a surpresa e alegria dos fãs, o grupo está de volta em uma novela inédita.
Em Com amor, Creekwood, vamos descobrir o que aconteceu depois da formatura da escola e como todos estão lidando com a vida na universidade. Simon e Blue continuam apaixonados, só que a 189,1 quilômetros um do outro, e às vezes a saudade é quase insuportável. Já Leah e Abby dividem o dormitório e não se desgrudam, vivendo um romance adorável e chegando cada vez mais perto daquela palavrinha de quatro letras que começa com “a”.
Por meio de e-mails apaixonantes e divertidos, mas também profundos e sensíveis, acompanhamos os passos de Simon Spier e seus amigos rumo à vida adulta, uma jornada nem sempre fácil, mas cheia de descobertas e momentos inesquecíveis.

domingo, 3 de maio de 2020

RESENHA: Os pergaminhos vermelhos da magia (As Maldições Ancestrais - Livro 01)

Cassandra Clare e Wesley Chu lançam o primeiro livro da nova série que acompanha o feiticeiro Magnus Bane e o caçador de sombras Alec Lightwood enquanto viajam pelo mundo após a Guerra Mortal.
Tudo o que Magnus Bane queria era aproveitar suas férias pela Europa com Alec Lightwood, o Caçador de Sombras que, contra todas as probabilidades, finalmente é seu namorado. Mas assim que os dois se instalam em Paris, uma velha amiga chega com notícias sobre um culto de adoração a demônios chamado A Mão Escarlate, que está empenhado em causar o caos em todo o mundo – um culto que, aparentemente, foi fundado pelo próprio Magnus, anos atrás. Agora, Magnus e Alec vão percorrer o continente europeu para rastrear A Mão Escarlate e seu novo e ilusório líder antes que o culto cause ainda mais danos. Como se não fosse suficientemente ruim que suas férias românticas tivessem sido desviadas do trajeto original, os demônios agora estão perseguindo todos os seus passos, e está se tornando cada vez mais difícil distinguir amigos de inimigos. À medida que sua busca por respostas se torna cada vez mais complexa, Magnus e Alec precisarão confiar um no outro mais do que nunca - mesmo que isso signifique revelar os segredos que ambos mantêm.

terça-feira, 9 de julho de 2019

RESENHA: E se fosse a gente?

Em Com amor, Simon, Becky Albertalli conquistou o público jovem com sua narrativa sensível e apaixonante sobre um menino gay prestes a viver uma grande história de amor. Em E se fosse a gente?, ela se une ao escritor Adam Silvera para narrar o encontro de dois garotos que não poderiam estar em momentos mais diferentes da vida, mas que vão desafiar os poderes do universo para ficarem juntos.
De férias em Nova York, Arthur está determinado a viver uma aventura digna de um musical da Broadway antes de voltar para casa. Já Ben acabou de terminar seu primeiro relacionamento, e tudo o que mais quer é se livrar da caixa com todas as lembranças do ex-namorado.
Quando eles se conhecem em uma agência dos correios, parece que o universo está mandando um recado claro. Bem, talvez não tão claro assim, já que os dois acabam tomando rumos diferentes sem ao menos saberem o nome ou telefone um do outro.
Em meio a encontros e desencontros — sempre embalados por referências a musicais e à cultura pop —, Ben e Arthur se perguntam: e se a vida não for como os musicais da Broadway e os dois não estiverem destinados a ficarem juntos? Mas e se estiverem? Aos poucos, eles percebem que às vezes as coisas não precisam ser perfeitas para darem certo e que os planos do universo podem ser mais surpreendentes do que eles imaginam.

domingo, 3 de março de 2019

RESENHA: Boy erased - Uma verdade anulada

Em seu elogiado livro de estreia, Garrard Conley revisita as memórias do doloroso período em que participou de um programa de terapia baseado no estudo da Bíblia que prometia “curá-lo” de sua homossexualidade.
Filho de um pastor da Igreja Batista e criado em uma cidadezinha conservadora no sul dos Estados Unidos, aos 19 anos Garrard foi convencido pelos próprios pais a apagar uma parte de si. Em uma tentativa desesperada de agradá-los e de não ser expulso do convívio da família, ele quase se destruiu por completo, mas encontrou forças para buscar sua identidade e hoje é ativista contra as terapias de conversão.
Tocante e inspiradora, a história do autor é um acerto de contas com o passado, um panorama complexo das relações dele com a família, com a fé e com a comunidade. O livro é o testemunho dos traumas e consequências de se tentar aniquilar parte essencial de um ser humano. 

Acho que tudo se resume a dor. Dor de se aceitar, de ser aceito, de ser transformado no que não é para garantir amor da própria família. Eu imaginei que não seria uma leitura fácil, e não foi mesmo. Difícil entender como um ser humano inflige esse tipo de sofrimento a outro, como não percebe a dor alheia e como faz da condição de várias pessoas uma forma de ganhar dinheiro e usar a religião de forma deturpada. Mas é aquela coisa: ainda vivemos isso, mesmo que não tenhamos um centro específico para transformação, ainda colocamos as pessoas em desconforto com sua orientação sexual.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

RESENHA: Um milhão de finais felizes

Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais, sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas.

Mas é quando ele conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.

Apesar de ver muito no twitter indicações dos livros do Vitor Martins, ainda não tinha me rendido a curiosidade. Somente quando um amigo leu e me indicou foi que iniciei a leitura.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

RESENHA: Leah fora de sintonia (Creekwood - Livro 02)

Leah odeia demonstrações públicas de afeto. Odeia clichês adolescentes. Odeia quem odeia Harry Potter. Odeia o novo namorado da mãe. Odeia pessoas fofas e felizes. Ela odeia muitas coisas e não tem o menor problema em expor suas opiniões. Mas, ultimamente, ela tem se sentido estranha, como se algo em sua vida estivesse fora de sintonia. No último ano do colégio, em poucas semanas vai ter que se despedir dos amigos, da mãe, da banda em que toca bateria, de tudo que conhece. E, para completar, seus amigos não fazem ideia de que ela pode estar apaixonada por alguém que até então odiava, uma garota que não sai de sua cabeça.
Nesta sequência do sucesso Com Amor, Simon, vamos mergulhar na vida e nas dúvidas da melhor amiga de Simon Spier. Em um livro só dela, mas com participações mais do que especiais dos personagens do primeiro livro, vamos acompanhar Leah em sua luta para se encontrar e saber com quem dividir suas verdades e seus sentimentos mais profundos.
Em Leah fora de sintonia, Becky Albertalli mostra por que é uma das vozes mais importantes e necessárias de sua geração. Sem nunca soar didática, a escritora lança mão dos mesmos ingredientes que tornaram Com Amor, Simon um sucesso mundial: a leveza, o senso de humor, a representatividade e a certeza de que vale a pena contar histórias sobre jovens que podem até estar perdidos, mas estão determinados a encontrar seu caminho.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

RESENHA: Simon vs. a agenda Homo Sapiens

Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte.
Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar.
Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu.
Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontrarmos.

O assunto é tão atual. Vivemos uma período de muita discussão sobre sexualidade e questões de gênero e esse foi um dos motivos que me levaram a ler Simon vs a agenda Homo Sapiens. A outra foi a forma bem humorada de tratar do assunto que a sinopse prometia. Então fui animada ler o livro da Becky Albertalli e não me arrependo nem um pouco.