domingo, 12 de julho de 2020

RESENHA: O sol também é uma estrela

Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.
Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.
O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?

Sempre tive muita vontade de ler algo da Nicola Yoon e me interessei principalmente por "O sol também é uma estrela" porque achei a sinopse intrigante e cheia de possibilidades, e ter protagonistas não brancos foi um fator determinante. Comecei a ler animada e me encantei com o enredo.

Os dois são bem diferentes, o que por si só já me deixou empolgada. Sendo a Natasha mais racional e objetiva, logo me identifiquei com ela. Já o Daniel é gentil e tem uma parte sonhadora adorável, mesmo seguindo as expectativas dos pais e acreditando que sua realidade tem poucas chances de mudar. 

Sendo o Daniel filho de imigrantes coreanos, vemos um pouco da cultura dos seus pais durante a narrativa e entendemos os motivos da mudança de país. É óbvio que as perspectivas deles são altas em relação aos filhos por conta do quanto sofreram no passado e das condições atuais, mas esse futuro escolhido por eles não representa a vontade de Daniel, por mais que ele respeite suas origens. O dia que ele passa com a Natasha o faz pensar muito sobre aceitar as decisões dos pais ou fazer seu próprio caminho e me peguei dividida, pensando em qual seria o caminho certo.

Já Natasha tem uma vida um pouco mais pesada, e sua família não consegue viver o sonho americano, embora para ela, o EUA seja sua casa e sua maior chance de futuro. Através da família dela a autora nos mostra o outro lado, a do fracasso, a das longas horas de trabalho, da vida entre mentiras por conta da sua condição. Também faz parte da sua rotina o racismo e a autora não deixa de lado essa questão, embora não seja foco do livro, e entendemos sim o impacto na vida da Natasha. 

Os dois são personagens apaixonantes, que conseguem nos fazer torcer por eles, admirá-los e também criticá-los. E nos faz enxergá-los como os adolescentes que são, com sonhos, verdades absolutas e com alguma esperança.

Os capítulos são alternados entre a Natasha e o Daniel, esse tipo de construção agrada bastante porque conseguimos acompanhar os sentimentos e pensamentos dos dois sem necessariamente precisar confiar no outro para perceber suas reações. Algumas outras participações vão surgindo durante o livro, bem como alguns fatos são explicados e isso enriquece ainda mais o enredo. 

A autora se preocupa em dar veracidade a sua visão, e consegue cumprir esse objetivo, pois se baseia em sua vivência como imigrante e na cultura do seu marido. Os costumes e palavras usadas por Daniel, as lembranças da Natasha, tudo soa verdadeiro e natural. Mas não somente isso dá verossimilhança ao livro: os pequenos acontecimentos que fazem grandes transformações estão presentes e a Nicola não nos poupa de seus resultados, afinal nossa vida também não é assim? Mudada por pequenas decisões e alguns encontros? Sua escrita encanta, prende a atenção e me fez ter dificuldades de largar o livro. Pretendo ler "Tudo e todas as coisas", outro livro da autora, em breve.

Sobre o livro:
ISBN: 9788580416589
Autora: Nicola Yoon
Tradução: 
Editora: Arqueiro
Ano: 2019
Páginas: 288

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